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Relembre as oito maiores polêmicas da Internet em 2021

Por Rodrigo Fernandes, para o TechTudo

O ano de 2021 foi marcado por uma série de polêmicas na Internet. Alguns acontecimentos geraram momentos de tensão entre os brasileiros, que tiveram suas informações pessoais expostas em um megavazamento de dados, em janeiro, e sofreram com o apagão das redes sociais da Meta (então Facebook), em outubro. Um dos últimos episódios polêmicos aconteceu neste mês, quando os sites do ConecteSUS e do Ministério da Saúde saíram do ar após um ataque hacker, impedindo os cidadãos. de acessarem o certificado nacional de vacinação contra a Covid-19.

Escândalos envolvendo o Facebook Papers, invasão ao iFood e mudanças nas políticas de privacidade do WhatsApp também estão entre as situações que ocorreram este ano e causaram diferentes reações na Internet. Relembre, a seguir, as oito maiores polêmicas de 2021.

1. Megavazamento de dados

O ano começou com um dos maiores vazamentos da Internet. No mês de janeiro, dados de 223 milhões de brasileiros — praticamente toda a população do país — foram expostos na web. As informações foram divulgadas em dois blocos, e incluíam nomes completos, datas de nascimento, endereços, CPFs, fotos de rosto, scores de crédito, rendas, escolaridades, informações de imposto de renda, benefícios sociais, entre outros dados.

O arquivo também expôs informações sensíveis de mais de 104 milhões de veículos, como placas, modelos, anos de fabricação, números de chassi, cilindradas, tipos de combustível utilizados e municípios de registro, além de dados sigilosos de 40 milhões de empresas firmadas no país, como CNPJ e razão social.

Vale ressaltar que as informações foram publicadas por um criminoso em um fórum online voltado especificamente à comercialização de dados. No mês de março, um hacker foi preso pela Polícia Federal acusado de colocar essas informações à venda na Internet.

2. Mudança na política de privacidade do WhatsApp

Também em janeiro, o WhatsApp se envolveu em uma das maiores polêmicas da história do aplicativo, disponível para celulares Android e iPhone (iOS). Na época, a empresa responsável pelo mensageiro anunciou que realizaria mudanças na política de privacidade e compartilharia dados com empresas parceiras do Facebook, com a justificativa de aprimorar a segurança e personalizar anúncios com mais precisão. A mudança seria implantada de forma obrigatória para todos os usuários, que teriam a conta desativada caso não aceitassem os novos termos.

Desde o anúncio, usuários de todo o mundo se mostraram contrários à obrigatoriedade do compartilhamento dos dados, e autoridades de países como Índia, Turquia e África do Sul pressionaram a empresa para que desistisse da decisão. No Brasil, o Procon-SP notificou o WhatsApp para que prestasse esclarecimentos sobre a nova política, e explicasse se elas estavam de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e com o Código de Defesa do Consumidor (CDC).

Como resposta, o WhatsApp adiou a mudança de forma global para maio, mês em que as novas políticas entraram em vigor. No entanto, o mensageiro adiou a decisão de limitar o uso do aplicativo para aqueles usuários que declinassem das novas premissas.

3. Invasão no site da Anvisa após jogo das Eliminatórias da Copa do Mundo 2022

No mês de setembro, o site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sofreu um ataque cibernético que tirou a página do ar por cerca de uma hora e meia. Durante o ataque, o site da Anvisa exibiu a bandeira da Argentina sobre uma tela preta, com uma mensagem provocativa: “Anvisa, não fizemos quarentena para passar por seus servidores: vão nos expulsar também? ”. A invasão não afetou outros sistemas da agência.

O evento aconteceu dias após uma partida entre Brasil e Argentina, válida pelas eliminatórias da Copa do Mundo 2022, ser interrompida nos minutos iniciais pela entidade sanitária. A agência apontou que quatro jogadores argentinos violaram os protocolos de prevenção à Covid-19 e mentiram no formulário de imigração de entrada no país. A seleção argentina negou as acusações.

4. Facebook Papers

Em outubro, o Facebook foi alvo de uma investigação que ficou conhecida como “Facebook Papers”. As acusações tiveram início após uma ex-funcionária apresentar relatórios internos da empresa a membros do Congresso americano — estudos que também foram veiculados em diversos jornais americanos —, apontando que a empresa tinha ciência do comportamento radical e extremista de parte dos usuários e postergou decisões propositalmente, o que configuraria negligência.

A empresa também foi acusada de se negar a realizar mudanças nos algoritmos, após estudos internos revelarem que os códigos favoreciam a disseminação de discursos de ódio e fake news. Entre outras acusações, o Facebook estaria isentado personalidades famosas e políticos do cumprimento de regras em suas plataformas, além de manter um ambiente tóxico para usuários adolescentes do Instagram.

A empresa negou os argumentos apresentados pela ex-funcionária, afirmando que as informações estavam “fora de contexto”. O Facebook também alegou que os documentos expostos estavam desatualizados, e que estaria trabalhando para resolver os problemas citados.

5. Apagão das redes sociais do Facebook

O dia 4 de outubro de 2021 foi marcado pelo apagão do Facebook, WhatsApp e Instagram. As plataformas pararam de funcionar simultaneamente em todo o mundo por mais de seis horas, tanto na versão para computador como nos aplicativos para celular. Dentro do período, não foi possível enviar mensagens, publicar fotos ou navegar nas redes sociais. Ao tentarem usar algum dos serviços, os usuários visualizavam apenas alertas de erro ou a mensagem de “conectando”.

Segundo a empresa, o erro “5xx Server Error” aconteceu nas configurações de roteadores de backbone, responsáveis por coordenar o tráfego de rede entre os centros de dados dos aplicativos. O problema interrompeu a comunicação e fez com que deixassem de se integrar, ocasionando a interrupção dos serviços. No início de dezembro, o Procon-SP multou o Facebook em R$ 11 milhões por conta do apagão, alegando “má prestação de serviço” que causou prejuízo para milhões de pessoas.

6. Desenvolvimento do metaverso

O Facebook mudou de nome para Meta em outubro, quando também anunciou planos para o metaverso. No universo virtual, será possível interagir com outras pessoas por meio de avatares digitais e a partir de tecnologias como realidade virtual, realidade aumentada, redes sociais, criptomoedas, entre outras. A ideia é que o metaverso seja uma espécie de “Internet 3D”, integrando serviços de várias empresas digitais em um único ambiente.

Segundo o Facebook, a ideia é que as pessoas possam fazer tudo que quiserem dentro do metaverso, como reunir-se com amigos e família, trabalhar, aprender, brincar, fazer compras e realizar experiências completamente novas, que não se encaixam na forma como pensamos sobre computadores e telefones atualmente.

Ainda em desenvolvimento, o metaverso já suscita uma questão importante: a integridade dos dados dos usuários. Frequentemente envolvida em escândalos relacionados a privacidade, como Cambridge Analytica e Faceboo k Papers, a Meta terá um grande desafio para compartilhar os dados entre diferentes plataformas envolvidas nas movimentações do metaverso sem que haja um comprometimento das informações.

Segundo a ex-funcionária Frances Haugen, responsável pelo estopim do Facebook Papers, o metaverso é “viciante e roubará ainda mais informações pessoais”. Ela afirma que a estratégia de Mark Zuckerberg possibilitará um maior domínio das empresas sobre as informações das pessoas a partir da imersão nesse universo digital, e que a utilização dos serviços forçaria os usuários a abrirem mão de suas informações pessoais.

7.iFood invadido

No mês de novembro, o iFood sofreu uma intervenção que deixou a plataforma instável por algumas horas. Durante o evento, alguns dos restaurantes tiveram seus nomes alterados para mensagens como “Bolsonaro 2022″, “Petista Comunista”, dentre outros termos com cunho político ou antivacina. Em outros casos, estabelecimentos deixaram de ser mostrados aos usuários, a ferramenta de busca parou de funcionar e o tempo de espera de pedidos configurou números incorretos.

Segundo o iFood, 6% dos restaurantes cadastrados no app foram afetados pelo problema, mas não houve comprometimento dos dados pessoais dos usuários, nem dos cartões de créditos cadastrados no app, uma vez que essas informações não ficam armazenadas no banco de dados da plataforma.

A empresa também afirmou que o evento não foi causado por ataque hacker, mas sim por um funcionário de uma empresa prestadora de serviços que tinha permissão para ajustar manualmente informações cadastrais dos restaurantes na plataforma.

8. Ministério da Saúde hackeado

O site do Ministério da Saúde saiu do ar em 10 de dezembro após um ataque hacker. A página passou a exibir uma mensagem que explicava que dados internos do sistema haviam sido copiados e excluídos. O ataque atingiu os sistemas e-SUS — responsável por notificar casos de Covid —, o Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização, que tem dados sobre a cobertura vacinal, o serviço ConecteSUS e suas funcionalidades, como a emissão do Certificado Nacional de Vacinação contra a Covid-19.

O grupo “Lapsus$ Group” assumiu tal ação e afirmou que retirou do sistema 50 TB de informações do ar. Dois dias depois do ataque, o Ministério da Saúde afirmou que todos os dados foram recuperados com sucesso, e que não houve perda de informações. A pasta também informou que estava trabalhando para restabelecer os sistemas para registro e emissão de certificados de vacinação.

Com informações de g1, ge e PrivacyTech. Via techtudo.com.br