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USP e Einstein criam IA capaz de identificar o novo coronavírus

Análise é feita a partir de variáveis como presença de eosinófilos, linfócitos e leucócitos no sangue

Um algoritmo de inteligência artificial (IA) criado por pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein, com participação de especialistas do Laboratório de Big Data e Analise Preditiva em Saúde da Universidade de São Paulo (USP), pode detectar a presença do novo coronavírus em pacientes. Segundo os pesquisadores, a iniciativa é inédita no mundo.

O resultado é calculado com base na coleta de sangue e nas informações básicas obtidas na admissão dos pacientes em unidades hospitalares. A tecnologia pode ajudar médicos a detectar a doença, mesmo com a falta de testes específicos.

O índice de acerto da criação é de 77% em casos positivos e negativos. “Os resultados são promissores e tendem a melhorar” disse André Batista, um dos pesquisadores envolvidos no projeto, em entrevista ao jornal Estado de São Paulo. O treinamento do sistema foi feito com informações de 235 pacientes atendidos no Albert Einstein com suspeita de contaminação. O período de coleta dos dados ocorreu entre 17 e 30 de março.

A identificação da IA é feita a partir de 15 variáveis diferentes como idade, sexo ou quantidade de hemoglobina, glóbulos vermelhos e plaquetas. Para chegar ao resultado, o algoritmo procura por eosinófilos, linfócitos e leucócitos – células presentes no sistema do corpo humano e que costumam ser identificadas quando há uma doença agindo.

Disponibilização

Embora tenha uma taxa de acertos alta e seja bastante promissor, ainda não há previsão para a disponibilização do sistema. “Precisamos de mais dados de outros hospitais para garantir que a IA está bem treinada. Estamos de portas abertas para qualquer instituição que deseja colaborar com o projeto”, disse Alexandre Chiavegatto Filho, diretor do Laboratório de Big Data da USP.

Para continuar o projeto e alimentá-lo com mais dados, o plano é de coletar mais informações nos hospitais M’Boi Mirim e Vila Santa Catarina, ambos administrados pelo Hospital Albert Einstein através de um programa da Prefeitura de São Paulo.

Os pesquisadores ainda apontam que a utilização do algoritmo, quando estiver disponível, é feita de maneira simples, e que não exige um computador potente. Por esse motivo, a maioria dos hospitais deve conseguir utilizar o sistema.

A ideia é terminar todos os testes e ajustes ainda durante o período de pandemia. No entanto, a distribuição do sistema ficará a cargo do Ministério da Saúde. Isso porque o projeto foi criado dentro do programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS.

Depois de pronto, o próximo passo será desenvolver outros dois modelos de IA: o primeiro será capaz de prever quais contaminados pela doença precisam de internação, e o outro vai analisar o quadro dos pacientes, indicando quais deles podem necessitar de instrumentos que ajudem na respiração.

Via: Estado de São Paulo