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Vale a pena pagar por um antivírus? Especialistas respondem

cyano66/iStock

Rodrigo Lara

Se você é aquele tipo de pessoas que se preocupa com segurança digital, seja de computadores ou celulares, provavelmente já teve a seguinte dúvida: vale a pena pagar por um antivírus?

É uma dúvida recorrente e justificável, uma vez que há uma vasta oferta de produtos do tipo, tanto gratuitos quanto pagos. Será que um antivírus pago é realmente mais eficiente do que um gratuito?

Pagar compensa?

“Sendo bem direto, sim. Isso porque a versão paga, em geral, é atualizada antes das gratuitas. Com isso, ao menos, em tese, você ficaria protegido por mais tempo”, explica o professor Rodrigo Filev, do Departamento de Ciência do Centro Universitário FEI.

Ou seja: ao menos em tese, os usuários das versões gratuitas passariam um tempo com uma proteção inferior à daqueles que pagaram pelo programa.

Isso, no entanto, pode não significar um risco imediato. Ainda que haja diferenças no nível de proteção, programas gratuitos costumam dar conta do recado quando se procura funções mais simples.

“Mesmo com uma proteção mais básica, o antivírus gratuito atua de forma efetiva com verificação de arquivos no computador, por exemplo. Geralmente, o antivírus gratuito costuma ser mais indicado para os usuários experientes, que sabem navegar e conhecem os riscos e métodos de infecção”, explica Fabio Assolini, analista de segurança da Kaspersky Lab.

Tal opinião é compartilhada por Marco DeMello, executivo-chefe da PSafe. “Um bom antivírus gratuito não perde em qualidade para os demais pagos, oferecendo as funções necessárias para que o usuário médio se mantenha protegido”, diz, reforçando que isso vale tanto para PCs quanto para celulares.

Por que pagar, então?

Ainda que antivírus grátis ofereçam uma proteção eficiente –ao menos em nível básico–, Fernando Amatte, diretor de inteligência cibernética da Cipher, empresa especializada em segurança, é taxativo:

Eu não recomendaria um antivírus grátis hoje em dia.

A explicação para isso, segundo o especialista, é que o custo para se ter uma proteção paga e mais abrangente hoje em dia acaba compensando.

“As ameaças mudaram, assim como o perfil dos atacantes. Mesmo que você acredite que você ou que suas máquinas não sejam importantes, um atacante pode utilizá-las para efetuar outros crimes sem você saber. Atualmente, por exemplo, existem soluções custando R$ 120 para a proteção de até três equipamentos por ano. Aproximadamente R$ 3 por mês para cada equipamento, um valor pequeno quando pensamos em proteção”, complementa.

Essa profundidade na proteção é um dos grandes atrativos para se optar por uma solução paga, já que os programas gratuitos oferecem ao menos um nível básico de proteção.

“Algumas até oferecem firewall pessoal, mas apenas as pagas trabalham com análise de comportamento, algo importante no combate da ransomware, nuvem para evitar falhas desconhecidas, também chamadas de ’0-day’, reputação de sites para combater mensagens de phishing e prevenção de exploração de vulnerabilidades”, alerta Assolini.

Ainda que algumas funções sejam exclusivas de antivírus pagos, há programas gratuitos que, mesmo não oferecendo a profundidade de proteção de um antivírus pago, vão além da simples análise de arquivos.

Como exemplo disso, DeMello cita a versão gratuita do Dfndr Security, app de segurança para celulares. “Ele é capaz de identificar arquivos que podem contaminar o smartphone, além de contar com tecnologia anti-hacking, que examina links que o usuário recebe por meio de mensagens e redes sociais e alerta sobre tentativas de phishing, tentativas de golpes, páginas falsas e até mesmo fake news”, explica.

Escolha depende de experiência

É bem provável que neste ponto você esteja em dúvida sobre qual solução utilizar: a gratuita ou a paga. Aqui, no entanto, é necessário observar caso a caso antes de decidir.

Especialmente quando falamos sobre computadores, uma solução mais abrangente e paga tende a ser uma escolha interessante para quem quer ter o mínimo de preocupação ou, ainda, é um usuário menos experiente e mais propenso a ser vítima de golpes.

Uma vez que se decida pelo programa pago, é interessante observar o quanto a empresa que fornece o serviço está adaptada à internet brasileira e suas particularidades e ameaças.

“A meu ver, ter uma solução é melhor do que não ter nenhuma, independentemente da marca ou do valor pago. Ainda assim é interessante buscar soluções de empresas que possuam centros de pesquisas no Brasil”, explica Assolini.

Filev, por sua vez, ressalta que é preciso olhar para outros pontos que vão além da proteção em si. “Há questões como o impacto no desempenho da máquina que devem ser levadas em conta na hora de escolher entre os produtos disponíveis”.

Por fim, para saber se o antivírus que você está prestes a utilizar é bom ou não, convém procurar análises e opiniões de usuários.

“Existem inúmeros aplicativos de segurança e privacidade no mercado, mas apenas poucos apresentam uma reputação relevante, que comprove a confiabilidade da empresa e do produto. Sempre fuja de aplicativos de empresas desconhecidas e que sejam mal avaliados por usuários que já os utilizaram”, conclui DeMello.

Fonte: https://noticias.uol.com.br/tecnologia